Mulheres são o dobro dos homens na vacinação contra a Covid-19 pelo Brasil: entenda as razões da predominância delas na imunização

 Da Folha de São Paulo, vem um artigo importante que destaca a predominância das mulheres na Primeira Fase da vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Existem algumas razões para as mulheres serem a grande maioria dos que receberam a primeira dose:


Primeiro, elas são maioria entre os idosos: até a faixa dos 39 anos, a proporção de homens e mulheres na população é praticamente igual, mas a partir daí elas vão prevalecendo até se tornarem 68% dos brasileiros acima de 90 anos.


Segundo, elas são maioria entre os trabalhadores da saúde, profissão ligada ao cuidado: em média, oito a cada dez agentes comunitários, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem do país são profissionais do sexo feminino, segundo números do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Só o perfil dos médicos é mais masculino.


Esses dois grupos prioritários foram os mais imunizados nesta primeira fase em números absolutos. Até sexta, os profissionais da saúde correspondiam a quase 60% do público alvo, e os idosos acima dos 80 anos, 26% —porcentagens que devem diminuir à medida que a campanha avançar. Para a demógrafa Dalia Romero, coordenadora do grupo de estudos sobre envelhecimento da Fiocruz, as respostas a essa pergunta não são positivas.

“O Brasil está entre os países com a maior desigualdade na proporção entre homens e mulheres no mundo. Isso não é uma boa notícia, é triste para as mulheres, que ficam cada vez mais sozinhas e viúvas, sem direito a aposentadorias, gerando vários outros problemas”, diz.

Ela interpreta que, no campo social, essa desigualdade vem principalmente de outras três causas, e a violência é uma das mais importantes. Homicídios tiraram a vida de 149 homens (ante 12 mulheres) por dia em 2018 no país, mostra o “Atlas da Violência” mais recente.

Eles também são vítimas mais comuns das chamadas “mortes evitáveis”, aquelas total ou parcialmente preveníveis ou tratáveis, como tabagismo, certos tipos de câncer, diabetes ou até causas externas como acidentes de trânsito e os próprios assassinatos.


Em terceiro lugar, parte dos especialistas aponta que os homens têm menos práticas de cuidados médicos, como a realização de exames e consultas. Mas Romero defende que essa é a consequência de um outro problema, e não apenas a causa.

“Essa visão culpabiliza o homem em si, como se ele não quisesse se cuidar. Eu prefiro falar que a maior mortalidade masculina acontece especialmente em países com atenção primária fraca. Há pesquisas mostrando como o aumento da estratégia de família diminui a mortalidade por causas evitáveis, onde eles são a maior parcela”, explica.

Ela vai além: “Trabalhando com envelhecimento, vejo tudo sempre como um ciclo de vida. A sociedade não vincula o homem ao cuidado. Quando a criança nasce, quem tem direito a cuidar do filho? A mulher. Quem normalmente falta no trabalho para cuidar dos pais? A mulher”, desenvolve.”

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